Papa Francisco apoiou a Ditadura na Argentina? Entenda as polêmicas de Bergoglio

Com o lançamento do filme “Dois Papas” o resto do mundo tomou conhecimento que uma polêmica que ronda a vida do Papa Francisco na Argentina. Algo que faz ele estar muito longe de ser uma unanimidade entre seus compatriotas. É que segundo seus acusadores Jorge Mario Bergoglio teria sido “cúmplice” de sequestros e torturas durante a última ditadura argentina (1976 – 1983).

VATICAN CITY, VATICAN – DECEMBER 25: Pope Francis waves to the faithful as he delivers his Christmas ‘Urbi et Orbi’ blessing message from the central balcony of St Peter’s Basilica on December 25, 2018 in Vatican City, Vatican. The Blessing ‘Urbi et Orbi’ (to the city and to the world) is recognised as a Christmas tradition by Catholics. (Photo by Franco Origlia/Getty Images)

Entre os acusadores estão jornalistas e integrantes de grupos de defesa dos direitos humanos, como as famosas Mães da Praça de Maio.

De fato, durante a ditadura Bergoglio estava à frente da Ordem Jesuíta e seu nome é associado a pelo menos dois episódios obscuros desse período.

Conforme informações da imprensa local há testemunhos de que em 1976 Bergolio teria “retirado a proteção” da Igreja dos sacerdotes jesuítas, Orlando Yorio e Francisco Jalics, que faziam trabalho social com comunidades carentes de Buenos Aires. O resultado foi que ambos foram sequestrados e torturados.

Os incidentes inclusive são narrados no livro Iglesia y Dictadura, de Emílio Mignone, publicado em 1986. Outro que trata do assunto é o jornalista investigativo e ex-guerrilheiro argentino Horacio Verbitsky, no livro O Silêncio. Nos dois casos Bergoglio é apontado como responsável por dar uma espécie de sinal verde para a repressão alcançar seus colegas sacerdotes.

Bergoglio chegou a testemunhar em 2010 sobre seu papel nessa época, mas negou todas as acusações e disse que teria se reunido com o ditador Jorge Videla para pedir ajuda para salvar a vida dos dois religiosos.

Outro episódio obscuro sobre o qual o Papa teve que prestar esclarecimentos trata do desaparecimento da menina Ana de la Cuadra nas mãos dos militares. Ele foi chamado a testemunhar quando era arcebispo de Buenos Aires, à pedido da Promotoria do país e da organização Avós da Praça de Maio – formada pelas avós de crianças sequestradas pela ditadura -, mas pediu para dar sua declaração por escrito.

A promotoria apresentou à Justiça cartas enviadas a Bergoglio pelo avô de Ana, nas quais ele pedia ajuda para encontrar a neta e a filha, Elena – que desapareceu quando estava grávida de 5 meses. Com base em provas documentais, Estela, irmã de Elena, acusa Bergoglio de mentir ao dizer que apenas nos últimos 10 anos começou a tomar conhecimento sobre o sequestro de bebês por militares.

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