Armação? Guerra fria entre Ricardo Coutinho e João Azevedo continua sendo útil a ambos


A suposta “guerra fria” existente entre o grupo do ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, e o grupo do atual governador, João Azevedo, que resultou na dissolução do diretório estadual do PSB é boa para ambos. Insisto nessa leitura… Como? Vamos tentar entender o cenário político atual…

Em meio a angústia da classe política, que aguarda a qualquer momento, uma nova fase da Operação Calvário. João Azevedo não tem como fugir da premissa de que parte do dinheiro desviado pela Cruz Vermelha RS serviu para pagar fornecedores de sua campanha. Aliás, nunca é demais lembrar que este é justamente o dinheiro que estava na “famosa caixa de vinho”. Apenas este fato, se fosse um fenômeno isolado, já jogaria ao chão a governabilidade da Paraíba, que através de seus representantes (parlamento) e da própria população enxergaria na atual gestão um governo ilegítimo.

Fora do governo e visto por 10 entre 10 analistas políticos como um gestor centralizador. Ricardo Coutinho torna, através de sua postura de quem “sabe de tudo todo tempo”, improvável imaginar que uma operação de financiamento da campanha de Azevedo, com apoio operacional e financeiro da Cruz Vermelha, acontecesse seu sua ciência e eventual colaboração, por mais ingênuo e generoso que o colunista seja. 


Agora pergunto ao leitor, como dar para ambos o argumento perfeito para tentar se distanciar da crise moral e política da Calvário? Simples! Dando sinais públicos de que não se dão bem!

Politicamente, João e Ricardo estariam mexendo no tabuleiro e deixando a oposição tonta, sem saber quem é quem. Ora vendo Azevedo como “o poste de RC”, ora tentando dar conselhos para que se afaste de Ricardo. 

Enquanto discutem se o atual governo é melhor ou mais honesto que o anterior, aos poucos a governabilidade começa a voltar na Assembleia Legislativa. Oposição deixa de ver Azevedo como adversário e ao lado do G11, garante uma maioria devastadora para aprovar tudo. Lideranças de oposição de fato como o prefeito Luciano Cartaxo e o ex-governador Cássio Cunha Lima acabariam deixando de ser o foco do contrapeso a RC e assim os girassóis ocupariam sorrateiramente 100% da mídia, dobrando a opinião pública.

E Ricardo? Com histórico de campanhas na oposição e discurso afinado ao do PT do presidiário Lula, Ricardo conseguiria reconstruir a imagem de político forjado nos movimentos sociais e de combate aos poderosos da direita. Na prática o rompimento jamais aconteceria e em 2020, tanto João quanto Ricardo estariam no mesmo partido, afirmando que jamais brigaram e que tudo era fofoca “daqueles que querem trazer de volta o atraso…” Já a oposição, teria comido mosca todo este tempo!

E se a Operação Calvário avançar? Se o ex-governador concretamente for atingido? Nesse caso João seguiria no governo com o discurso de que “não tem nada com isso”, mas que considera “arbitrária qualquer ação contra o companheiro Ricardo”.

Só existiria uma forma de desmanchar tudo isso, na hipótese de ser uma armação. Jamais cair na conversa de que João é a antítese de Ricardo! João Azevedo foi o principal secretário de Ricardo Coutinho que decidiu ficar no governo para eleger um aliado. Nunca esqueçam isso! O resto, é conversa pra boi dormir…

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