João Azevedo e Ricardo Coutinho: uma cruz para dois no Calvário

A Secretaria de Comunicação do Estado da Paraíba tenta desesperadamente “descolar” a imagem do governador, João Azevedo, da Operação Calvário (Operação policial desencadeada em dezembro de 2018 com o objetivo de desarticular uma organização criminosa infiltrada na Cruz Vermelha Brasileira que administrava o Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa), mas se existe uma certeza é que em “cada prego desta cruz” existe o DNA do Palácio da Redenção.

Nunca é demais lembrar que em 1º de fevereiro, quando Leandro Nunes (ex-assessor da então secretária de Administração, Livânia Farias) foi preso, o Brasil ficou chocado com as imagens, exibidas no programa Fantástico da Rede Globo, em que o servidor público recebia uma caixa de vinho com R$ 900 mil para pagar fornecedores de campanha de Azevedo.

Em depoimento ao Gaeco, Leandro confirmou que recebeu no dia 8 de agosto do ano passado, em um hotel de luxo no Rio de Janeiro, a quantia de R$ 900 mil, com o qual pagou a empresários contratados para prestar serviços de carros de som, adesivos, e materiais impressos.

Leandro revelou ainda à Força Tarefa da Operação Calvário que combinou com os fornecedores para viajarem ao Rio de Janeiro, onde o dinheiro seria entregue. Após levar a caixa com R$ 900 mil para o quarto do hotel, separou R$ 300 mil em uma mochila e levou para Henrique da empresa Prática Etiquetas, que estava em um apartamento no Rio. Em seguida, Leandro colocou R$ 250 mil em outra mochila e levou ao empresário Zé Nilson da empresa Adesivo Torres, que estava em um hotel na rua Nossa Sra. de Copacabana. Após voltar ao hotel Leandro separou outros R$ 250 mil e levou para Weber da Plastifort, que estava hospedado em outro hotel.

Por fim Leandro disse que ligou para Júnior da empresa de carros de som, e pediu número de três contas do Banco do Brasil, tendo depositado R$ 45 mil para o mesmo, sendo R$ 15 mil em cada conta.

Ou seja, o dinheiro da Cruz Vermelha, segundo o testemunho de Leandro, bancou a campanha de João Azevedo. Isso tudo em um período em que o financiamento privado de campanhas eleitorais era ilegal. além disso, não se trata de mero caixa dois, mas dinheiro proveniente de propina, o que torna o crime muito mais grave.

E Ricardo Coutinho? Além de ser o gestor responsável pela chegada da Cruz Vermelha ao Estado, defendendo até os dias de hoje o trabalho da Organização social que drenou recursos públicos, ricardo também teve campanha financiada pela Cruz Vermelha Brasileira, Filial Rio Grande do Sul.

Já em 2014, em uma eleição “apertadíssima”, a Cruz Vermelha teria agido de forma decisiva no pleito.

No histórico de mensagens de Michele Cardoso, assessora ligada a Daniel, o Ministério Público identificou o que chamou de “missões clandestinas vinculadas ao financiamento de campanha políticas”. Em uma troca de mensagem com uma amiga, Michele comenta sobre a angústia de cumprir uma missão em João Pessoa. Segundo o MP, a missão era entregar dinheiro para campanha eleitoral. A viagem aconteceu entre os dias 23 e 24 de setembro de 2014, poucos dias antes da eleição. Michele chegou em João Pessoa em voo particular, mas voltou em voo comercial. Após o resultado do 1º turno, em mais uma troca de mensagens, Michele e integrantes da organização relataram a insatisfação da disputa ter ido para o segundo turno.

Nunca é demais lembrar que em 2014, Cássio Cunha Lima (PSDB) ganhou o primeiro turno com 47,44% dos votos, contra 46,05% para Ricardo Coutinho (PSB), levando uma “virada” do seu adversário no segundo turno.

Mas o “calvário dos socialistas” não para por aí, já que na quarta fase da Operação, em 30 de abril, a coordenadora financeira da campanha de João Azevedo (PSB) ao Governo do Estado e da campanha de Cida Ramos, a Prefeitura de João Pessoa, nas eleições 2016 , Maria Laura Caldas de Almeida Carneiro, foi presa preventivamente.

Os elementos que unem Ricardo e João a mesma cruz são incontáveis e não é possível que o ex e o atual governador tentem fingir não possuir qualquer relação com as investigações. Ambos podem juridicamente argumentar por sua inocência e é justo que o façam, mas negar que estão “sob a sombra da Cruz Vermelha é impossível”.

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