Efeito Wilson Witzel nas eleições municipais


“Algumas pessoas nunca cometem os mesmos erros duas vezes. Descobrem sempre novos erros para cometer”. (Mark Twain)

Todos têm a estranha sensação de que o Rio de Janeiro vive em um looping. A queda do governador Wilson Witzel, acusado de cometer crimes semelhantes aos dos também ex-governadores, Sérgio Cabral e Luíz Antônio Pezão, nos faz pensar sobre o que leva o eleitor a fazer escolhas tão ruins…

Pezão, Cabral e Wiltzel não possuem o mesmo perfil. Enquanto os dois primeiros são políticos tradicionais, Witzel foi eleito como um outsider, alguém que não teria compromisso com os políticos da “velha guarda” e sob o véu da direita vendeu a imagem de homem honesto. Na verdade seu esquema de corrupção só se diferencia dos demais por não envolver empreiteiras, mas corruptos de “menor expressão”. Até o escritório da esposa era usado para lavar dinheiro, semelhante ao que Sérgio Cabral fazia. Witzel era “o novo”, o juiz de linha dura e no fim provou-se apenas mais um ladrão.

O risco de escolher soluções mágicas é que o dia a dia costuma provar que mágica não existe. E que pessoas que costumam taxar todos os adversários como bandidos, sofrem de distúrbios de personalidade ou são simplesmente iguais aos demais. Lenin inclusive costumava repetir: “Acuse os adversários do que você faz, chame-os do que você é”, como vemos o mal-caratismo não é de direita ou de esquerda. Corrupção é ambidestra. Na Paraíba, Ricardo Coutinho era conhecido por tratar a classe política como uma grande quadrilha, despejando adjetivos pejorativos contra adversários e insinuando que todos os que o enfrentavam eram corruptos. O tempo e as operações do MPPB/Polícia Federal estão mostrando que o ex-governador socialista não passa de mais uma decepção.

Mas o que fez o eleitor carioca escolher Witzel após Cabral e Pezão? Primeiro é bom lembrar que Pezão e Cabral são oriundos do MDB, partido de centro esquerda que sofreu grande desgaste na Operação Lava Jato. Era natural que o eleitor imaginasse que o perfil ideal do próximo governador seria o de alguém que fugisse do que os dois anteriores representavam. Daí surge Witzel que era juiz, conservador, direitista, com um discurso 100% moralista, flertando com o bolsonarismo e se colocando como “salvador da pátria”. Parecia o homem certo na hora certa. Nem político ele era… Foi duro descobrir que o povo errou de novo.

Estamos diante de mais uma eleição. Desta vez vamos escolher nossos prefeitos e vereadores. Para não cometer o mesmo erro dos cariocas ou até erros novos, precisamos entender que o voto deve ser fruto do bom senso. Não é porque alguém é de esquerda ou de direita que deve receber a sua confiança. Geralmente este crivo não serve de nada. Não é porque um candidato outsider ou político tradicional que ele deve receber sua benção. Em todo planeta há casos de políticos tradicionais e novatos que conseguiram promover belas gestões e vice-versa. O voto deve ser dado naqueles que apresentarem propostas que pareçam minimamente possíveis, independente de ser um novato ou uma cara conhecida. Prometer apenas combater a corrupção não é suficiente, devemos observar os candidatos como um todo. Afinal, o discurso moralista pode ser uma farsa. E se tudo que nos encantava em um candidato era sua retórica de combate à corrupção, podemos estar apostando apenas em mais um crápula.

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