Evo Morales e o risco Lula

Na cadeira de presidente há mais de 13 anos, Morales foi o presidente boliviano que esteve no cargo por mais tempo na história do país.

Em seu governo promoveu uma mudança constitucional em 2009, que estabeleceu a possibilidade de reeleição presidencial para dois mandatos consecutivos de cinco anos cada. Isso permitiu que ele disputasse a reeleição em 2010 e 2014. Já em 2016, os partidários de Morales convocaram um referendo para modificar a Constituição novamente, para permitir que ele concorresse a um quarto mandato em 2019. Mas a proposta foi rejeitada pela maioria dos eleitores.

Em tese o sonho de Morales se perpetuar no Poder tinha falhado. Em tese!

Um depois, o presidente conseguiu a liberação do Tribunal Constitucional para disputar a reeleição indefinidamente (depois falam em golpe). A Corte determinou em novembro de 2017 que o limite de dois mandatos presidenciais era “uma violação dos direitos humanos” (alô?). A oposição acusou o tribunal de passar por cima do resultado do referendo.

Assim, ele concorreu ao quarto mandato consecutivo já com sua candidatura sendo contestada por seus opositores. Os problemas de Morales começaram na mesma noite das eleições, quando o STE suspendeu a rápida contagem dos votos quando a apuração estava 83% concluída. Uma tendência indicava que haveria um segundo turno entre o presidente boliviano e Mesa (lembram de algo parecido no Brasil?).

O sistema de contagem de votos, logo após o fechamento das urnas, chegou a ficar paralisado por 20 horas. Quando o sistema retomou, Evo ultrapassou o oponente. A oposição acredita que isso prova que houve fraudes no processo eleitoral.

Em 23 de outubro, o Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) se reuniu para debater a situação das eleições presidenciais da Bolívia. A conclusão foi de que vários princípios que regem uma eleição democrática foram violados e que, diante da margem apertada, a melhor opção seria assegurar um segundo turno eleitoral.

Evo renunciou após quase todos os aliados o aconselharem neste sentido. Sobre o assunto ele falou: “Houve um golpe cívico, político e policial. Meu pecado é ser indígena, líder sindical e plantador de coca”, disse o ex-presidente boliviano, ao comunicar sua decisão em um pronunciamento na televisão ao lado do seu então vice-presidente, Álvaro García Linera.

Quando optamos pela República, fica claro que abrimos mão do culto à personalidade. O desejo de Morales de se perpetuar no poder é a tentação mais vil da democracia, pelo simples fato de conduzir qualquer governo ao totalitarismo.

Nesse ponto começam as semelhanças e devemos frisar o desejo do ex-presidente Lula se candidatar em 2022 (ele já governou o Brasil por 2 mandatos consecutivos), mas estando condenado pela Justiça. Para aqueles que amam ser tratados como entidades divinas, as Leis são detalhes bobos e que podem ser modificados.

Nunca é demais lembrar que a segunda turma do STF em breve julgará a possibilidade de anulação da sentença que condenou Lula, com base em mensagens roubadas. Abaixo listo quem são os membros da segunda turma.

Diante destes nomes alguém tem dúvida do resultado?

Supondo que Lula dispute e vença as eleições em 2022, alguém que conseguiu mudar o entendimento do STF quanto a prisōes em segunda instância e que poderá em breve anular até sentenças, teria algum pudor em se tornar um ditador?

Deixo a resposta com você!

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