E agora, Ricardo? Áudio prova que 60 dias após contratação de O.S. para o Trauma, até o Senado já sabia que não se tratava da “Cruz Vermelha Internacional”

O ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), afirmou esta semana que só foi saber “muito depois” que a Organização Social (OS) que prestava serviço no Hospital de Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa, não se tratava da “Cruz Vermelha Internacional”, mas áudio da Rádio Senado de 2011 comprova que apenas 60 dias após a contratação do serviço da mesma, audiência pública no Senado Federal discutiu o uso de uma furadeira na substituição de um craniótomo que estava quebrado em cirurgia na unidade hospitalar , expondo pacientes a graves riscos.

Durante a entrevista, o ex-senador, Cícero Lucena (PSDB), revela que soube durante a audiência que a Cruz Vermelha que prestava serviços na Paraíba não era e Cruz Vermelha Internacional.

No dia 6 de julho de 2011 o Governo do Estado da Paraíba e a Cruz Vermelha/RS assinaram um contrato que duraria 7 anos e 6 meses, período em que a Organização Social recebeu mais de R$ 1 bilhão dos cofres da Paraíba.

Dia 14 de dezembro de 2018 a Operação Calvário do MPRJ/MPPB cumpriu 44 mandados de busca e apreensão, e prende 11 pessoas, entre as quais o Daniel Gomes da Silva, diretor nacional da Cruz Vermelha, e Roberto Kremser Calmon, este foi preso em um hotel de luxo na praia do Cabo Branco em João Pessoa.

Dia 1º de fevereiro de 2019 a Operação Calvário prendeu Leandro Nunes de Azevedo, assessor da Secretaria de Administração do Estado, que dias depois assinou delação premiada e contou tudo que sabia sobre um esquema criminoso de propina a partir da contratação da Cruz Vermelha.

A investigação descobriu e o delator confirmou : A Cruz Vermelha através de Michelle Louzada Cardoso, entregava grande quantidade de dinheiro, a título de propina para agentes públicos e para campanhas eleitorais dos Girassóis na `Paraíba.

Dia 16 de março a Operação Calvário prende a ex-secretária Livânia Farias, que também resolve colaborar com as investigações e resolve revelar tudo sobre o esquema, quem eram os integrantes, como agiam, e como lavavam o dinheiro.

Dia 30 de abril a Operação Calvário prende Maria Laura Carneiro assessora do ex-procurador geral do estado, Gilberto Carneiro, e cumpre 18 mandados de busca e apreensão, inclusive na casa do ex-procurador.

A pergunta que fica é: se os senadores sabiam, o secretário de Saúde sabia, quem licitou sabia, como só Ricardo Coutinho poderia não saber?

Deixe uma resposta