Censura: juiz manda Pâmela Bório excluir postagens sobre Coriolano Coutinho

Pâmela Bório (jornalista)

O juiz plantonista, Ricardo da Silva Brito, concedeu no feriado de 07 de setembro liminar em favor do irmão do ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, o assessor parlamentar Coriolano Coutinho, para determinar a imediata exclusão de postagens da jornalista, Pâmela Bório, em que esta faz referências a denúncia oferecida pelo MPPB.

Na denúncia o MPPB acusa Coriolano de integrar uma Organização que causou prejuízo de R$ 49 milhões a prefeitura de João Pessoa em um esquema com pagamento de propina por parte do advogado Bernardo Vidal a autoridades que ficou conhecido como “propinoduto”.

Coriolano Coutinho

A multa por dia, caso as postagens estivessem no ar, seria de R$ 1 mil, mas a jornalista já excluiu as publicações.

Pagamento de propina

Na denúncia, que tem por base delação premiada da ex-secretária, Livânia Farias, a mesma afirmou que, inicialmente, o próprio Bernardo a procurou e ofereceu um valor, que ela não aceitou. “Posteriormente, ele disse que não tinha a ver com propina e que o escritório tinha uma disponibilidade para ajudar”, disse na delação. Ela relatou ainda que o advogado chegou a afirmar que, quando ela saísse da Prefeitura, poderia se tornar advogada no escritório.

Segundo Livânia, o pagamento do valor acontecia por da firma, acontecia por vezes em espécie ou depósito, e não era condicionado ao pagamento feito pela Prefeitura. Ela contou que começou a receber a quantia por volta do segundo pagamento feito à firma.

“Ele me pagava um valor aleatório, às vezes R$ 3 mil, R$ 5 mil e isso foi final de 2009 até 2010”, comentou. Questionada, a ex-secretária contou que outros servidores também recebiam os valores.

MP: além da senhora, quais outros servidores do Município de João Pessoa recebiam essa vantagem?

Livânia: segundo o próprio Bernardo, Gilberto Carneiro e Coriolano [irmão do ex-governador Ricardo Coutinho]. Coriolano para o período eleitoral, que ele recebia, e Gilberto ele não especificou.

A ex-secretária afirmou que recebeu os valores até 2010, antes de começar o período eleitoral.

MP: por que houve essa mudança?

Livânia: eu acho que como o dinheiro era todo pra campanha, ele deveria [é interrompida]

MP: a senhora tem essa informação de que em 2010 ele entregou dinheiro para a campanha?

Livânia: tenho. Ele disse que ajudou bastante.

MP: e esse dinheiro era entregue a quem?

Livânia: a Coriolano.

MP: e a Gilberto também?

Livânia: a Gilberto eu não sei se era para a campanha.

MP: mas ele continuou pagando a Gilberto em 2010?

Livânia: segundo Bernardo Vidal, sim.

MP: a senhora disse que a senhora parou de receber em 2010.

Livânia: é, eu parei de receber.

MP: mas Gilberto e Coriolano continuaram recebendo?

Livânia: continuaram recebendo.

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