Calvário: muito além dos girassóis

Existe uma penumbra sobre a cabeça de boa parte da classe política na Paraíba. Esta sombra atende pelo nome de Livânia Maria da Silva Farias. A advogada que fez um acordo de delação premiada com o MPPB, denunciando TODOS os agentes públicos envolvidos no esquema de corrupção que funcionava com o auxílio da Organização Social Cruz Vermelha/RS, pode ter contado muito mais do que se imaginava.

Desde que a Paraíba tomou conhecimento no dia 4 de setembro que Livânia tinha denunciado o esquema do “Propinoduto”, onde o escritório de advocacia Bernardo Vidal teria sido contratado de maneira irregular para prestar serviços de recuperação de créditos junto a Receita Federal na Prefeitura de João Pessoa, todos entenderam que a ex-auxiliar de Ricardo Coutinho e João Azevedo deve ter revelado muito mais que as irregularidades no contrato entre o governo e Organizações Sociais. Na verdade o mecanismo de financiamento de boa parte das eleições mais recentes pode ter sido desnudado por Livânia.

Como observamos em sua biografia, Livânia se tornou titular de uma pasta na Prefeitura de João Pessoa em dezembro de 2008, quando assumiu a Secretaria de Finanças. Em 2010 Ricardo Coutinho renunciou ao mandato de prefeito e foi candidato ao governo da Paraíba, sendo responsável por uma “virada histórica” já que nenhuma pesquisa detectava sua vitória, tida até então como improvável… De lá para cá todos sabemos o resumo da ópera, em que Ricardo foi reeleito e fez seu sucessor, João Azevedo. Durante todo este tempo Livânia esteve ocupando cargos de destaque na gestão girassol, sendo pessoa de extrema confiança do ex-governador.

Ao que parece a “máquina socialista” pode, em tese, ter trabalhado para beneficiar mais candidatos, inclusive em eleições municipais. É bom que a classe política fique atenta. Afinal, novas revelações podem surgir a qualquer momento.

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