É o fim da Lava Jato?


Pense rápido! Se Sérgio Moro e Deltan Dallagnol agiam em conluio, as denúncias do Ministério Público sempre seriam acatadas pelo juiz, certo? Pois é, mas não foram raras as vezes em que o hoje ministro da Justiça discordou da Força Tarefa da Lava Jato, frustrando o MP e diretamente o Coordenador da força Tarefa, Deltan, em casos envolvendo nomes como: Marcelo Odebrecht, Antônio Palocci, Vaccari e vários funcionários de empreiteiras.

Para compreender com profundidade o que o The Interception chama de “interferência de Moro”, seria bom conhecer tudo o que eles dispõem. Este é um dos problemas com este tipo de matéria que tem por base conversas hackeadas… Ninguém sabe exatamente de que forma o conteúdo foi decupado ou editado. Mas vamos ao que foi exposto.

  1. Em um troca de mensagens a matéria mostra a reação dos dos procuradores da Lava Jato em um grupo fechado quanto ao pedido da Folha para entrevistar Lula na cadeia em plena campanha eleitoral. A procuradora Laura Tessler se mostra revoltada com o que chama de “piada”. “Lá vai o cara fazer palanque na cadeia. Um verdadeiro circo.” Outra procuradora, Isabel Groba, responde:Mafiosos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!” E eu pergunto, e daí? Os caras estão em um grupo fechado! eles não estão falando nos autos. Em um grupo fechado eu posso falar informalmente ou até cometer exageros pelo simples motivo de não estar me manifestando em nome de nenhuma instituição.
  2. Em outra troca de mensagens entre Dallagnol e Moro, o procurador desabafa sobre as críticas da imprensa por causa da denúncia, ao que Moro responde: “Definitivamente, as críticas à exposição de vcs são desproporcionais. Siga firme.” Estamos falando de dois agentes públicos que eram alvos permanentes de críticas e o fato de alguém dar uma impressão sobre sua conduta profissional, considerando as críticas “desproporcionais” não se trata de nada absolutamente ilegal. Já em outro trecho Deltan lamenta a decisão do STF de soltar Alexandrino Alencar, então diretor de relações institucionais da Odebrecht. “Caro, STF soltou Alexandrino. Estamos com outra denúncia a ponto de sair, e pediremos prisão com base em fundamentos adicionais na cota. […] Seria possível apreciar hoje?”, escreveu Dallagnol. Moro respondeu: “Não creio que conseguiria ver hj. Mas pensem bem se é uma boa ideia.” O juiz informa que dificilmente iria despachar naquele dia, não antecipa decisão alguma. E “se é um boa ideia” pode ser justamente uma crítica ao horário do envio do recurso. Nenhum problema quanto a isso.
  3. Mais uma vez, vazando trechos de uma conversa em um grupo fechado de procuradores, Deltan fala sobre sua preocupação com fundamentação da acusação e posterior a repercussão do caso: “Falarão que estamos acusando com base em notícia de jornal e indícios frágeis… então é um item que é bom que esteja bem amarrado. Fora esse item, até agora tenho receio da ligação entre petrobras e o enriquecimento, e depois que me falaram to com receio da história do apto… São pontos em que temos que ter as respostas ajustadas e na ponta da língua.” Os procuradores estavam se preparando para denunciar um ex-presidente da República e obviamente precisavam ter “as respostas ajustadas e na ponta da língua”. Em nenhum momento ele diz que as provas são frágeis. Ele apenas diz que “falarão em indícios frágeis”. Em outro trecho: tesão demais essa matéria do O GLOBO de 2010. Vou dar um beijo em quem de Vcs achou isso.” Qual o problema de comemorar que alguém tenha encontrado uma matéria que confirme uma suspeita ou um indício? Como destaca o procurador regional, Guilherme Schelb, em entrevista ao site “O Antagonista”:“in dubio, pro societatis.”
  4. No momento mais precioso para o PT, Moro questiona Deltan sobre a ordem de operações e se não seria muito tempo entre uma e outra. LEmbrem que Moro é quem autoriza as Operações e a Polícia Federal junto com o MP que comprem a tarefa logística de realizar buscas ou prisões. Sendo assim o juiz pode divergir do MP sobre determinado pedido e o MP pode dizer que o que o juiz pensa é impossível de ser cumprido do ponto de vista logístico. Qual a ilegalidade de debater operações que eram pedidas pelo MP e autorizadas ou não pelo juiz?

Diante de tudo que li e sou um simples jornalista, não vejo qualquer sentido em falar em fim da Lava Jato ou em anulação do processo contra o ex-presidente Lula, que por sinal foi condenado em três instâncias.

Lembrando que nada tenho contra atuação de hackers e acho inclusive que este mecanismo pode ser muito útil ao jornalismo, mas acho grotesco publicar uma matéria como esta sem ouvir a outra parte.

RECOMENDADO PELO GOOGLE:

Deixe uma resposta