Carta para o hacker

Senhor(a) hacker,

Permita-me a ousadia de chamá-lo(a) de você. Afinal, imagino que seja alguém jovem e desta forma não seria um desrespeito me colocar de maneira informal no tratamento a sua pessoa.

Sei que as coisas devem estar bastante corridas aí em Brasília (se é que você está no Planalto), com tantos celulares para invadir e “montanhas” de mensagens em aplicativos para decifrar. Pessoalmente não sou um admirador dos seus métodos, nem do seletivismo com que escolhe suas vítimas, mas compreendo seu desejo de silenciar a Lava Jato. Afinal, quem vive de uma atividade criminosa tem mais que atacar aqueles que atuam para o cumprimento da Lei (não se ofenda com minha avaliação), mas não é isso que me fez escrever esta singela carta. Meu tema é outro e acredito que vai interessá-lo(a).

Ao invés de invadir os celulares da Força Tarefa da Lava Jato, porque você não vem conhecer as belas praias da Paraíba e de quebra, mata o tempo invadindo uns celulares por aqui? Temos muitas verdades que precisam ser reveladas e bem mais estimulantes que as conversas enfadonhas entre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol ( e sim, admito que sempre achei que no fim das mensagens entre eles teria um “bju, te luv”).

Em João Pessoa temos o caso do servidor público, Bruno Ernesto, morto em 2012. Bruno era um profissional da área de TI, como imagino que você seja, e muita gente acredita que ele foi morto porque “sabia demais” sobre o escândalo do “Jampa Digital”, que desencadeou uma operação cujo nome tenho certeza que você vai gostar “Logoff”. Se na Lava Jato há figurões investigados, no caso Bruno Ernesto também há, basta você fazer uma consulta no site do TJPB que vai encontrar um político muito conhecido cuja iniciais são: RVC. Se quiser começar pelo celular dele, acho que ele nem vai se chatear muito. Ele defende abertamente seu trabalho.

Além do assassinato do Bruno Ernesto, que teve bala e arma do Estado utilizadas no crime, você pode nos ajudar com a “Operação Calvário”. A operação Calvário investiga uma organização criminosa responsável por desvios de recursos públicos, corrupção, lavagem de dinheiro e peculato, por meio de contratos firmados juntos às unidades de saúde da Paraíba, na ordem de R$ 1,1 bilhão.

Se você gosta de celulares de autoridades esta investigação é um prato cheio! Temos a ex-secretária de Administração, Livânia Farias, o ex-procurador Gilberto Carneiro, a direção da Cruz Vermelha/RS e estou certo que você vai ter muita diversão vendo as mensagens dessa turma toda.

Eu ainda teria outras sugestões, mas vou esperar você chegar na Paraíba. Tem a história de uma desapropriação, outra da compra de imóveis no exterior, cada uma mais cabeluda que a outra.

Quando puder, dê notícias!

Um forte abraço.

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