Previdência nos Estados: governadores não admitem, mas sonham com reforma


“Na frente das câmeras eles vociferam, a enchem de defeitos e fingem náusea, mas entre quatro paredes a desejam com o inconfessável amor de suas entranhas”. A frase acima poderia ilustrar um dos incontáveis amores escondidos que sempre ilustraram as páginas de decadentes e previsíveis folhetins, mas revela muito mais sobre os governadores dos Estados brasileiros e sua relação de “amor marginal” com a reforma da previdência.

Segundo dados divulgados recentemente pelo economista *Raul Velloso, o déficit previdenciário nos regimes regionais dos 27 Estados da Federação é de R$ 88,5 Bilhões ao ano.

Quanto a Paraíba, o *Ipea divulgou estudo bem mais “otimista” (se é que dá pra chamar assim) indicando que nosso Estado é 3º com maior “rombo” na previdência própria na Região Nordeste, com R$ 700 milhões estimados de déficit/ano.

Buraco nas contas dos Estados é maior que se pensava.

Com regimes próprios de previdência e uma “balança na mão de cada um” os governadores têm plenas condições de propor suas próprias reformas, mas não aceitam fazer isso. O motivo é o desgaste eleitoral da imagem que envolve mexer em direitos de aposentados.

Em linhas gerais os governadores, inclusive João Azevedo (PSB/PB), torcem secretamente pela aprovação da Reforma da Previdência em Brasília para terem a desculpa perfeita para fazer “cortes” sem ter que assumir a culpa de absolutamente nada. “A culpa é do bando de doido”, como diria Lula da cadeia em Curitiba.

*Raul Velloso é economista, consultor econômico e ex-secretário de Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento.
*O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (
Ipea) é uma fundação pública federal vinculada ao Ministério da Economia.

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